Em 2025, falar de saúde mental e bem‑estar no trabalho deixou de ser opção — é uma necessidade. A pandemia acelerou mudanças profundas nas relações de trabalho, e o estresse que já existia se somou a novas pressões: jornadas híbridas, hiperconexão, FOMO (fear of missing out) e a dificuldade de separar a vida pessoal da profissional. Nesse cenário, líderes, profissionais de RH e colaboradores perceberam que a qualidade da saúde mental impacta diretamente produtividade, criatividade e inovação. Não é à toa que organizações globais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que 15% dos adultos em idade ativa tinham algum transtorno mental em 2019 e em 2024 esse número subiu para ⅓ da população nacional.. Transtornos mentais são difíceis de perceber de fora e mais difícil ainda para quem sofre, conseguir explicar. Porém, a depressão e ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, custando à economia global cerca de US$ 1 trilhão em produtividade (Fonte: Who).Esses números assustam, mas também apontam uma oportunidade: empresas que cuidam de seus colaboradores podem reverter o jogo, ganhar engajamento e diferenciar‑se no mercado. O momento que vivemos é também marcado pela ascensão de tecnologias como inteligência artificial generativa, automação e big data. Essas ferramentas têm potencial de aumentar a eficiência, mas também podem intensificar a sensação de urgência e vigilância constante. Os colaboradores se veem obrigados a atualizar habilidades rapidamente e lidar com volumes massivos de informação. Paralelamente, há um movimento crescente de busca por propósito e equilíbrio: profissionais, especialmente as novas gerações, querem trabalhar em empresas que respeitam seus limites, valorizam a criatividade e oferecem oportunidades de crescimento humano. Esse paradoxo — tecnologia acelerando processos e o ser humano clamando por desacelerar — exige novos modelos de gestão. Eaí, como fazer para as empresas encararem esse mundo paradoxal da melhor forma possível? Na Fábrica de Criatividade, costumamos dizer “chega de treinamento coxinha” para se referir a soluções engessadas e sem alma. O termo virou um lema para lembrar que aprendizado e bem‑estar precisam ser experienciados de forma lúdica e significativa. Neste artigo, usaremos esse espírito para inspirá‑lo a criar ações inovadoras para a saúde mental no trabalho. Ao longo das próximas seções, você encontrará dados e referências científicas, mas também sugestões criativas para transformar sua organização em um lugar onde as pessoas realmente queiram estar. Este artigo é um guia completo pensado para quem quer transformar a saúde mental e o bem‑estar em vantagem competitiva. Vamos aprofundar a importância do tema, apresentar dados e desafios, mostrar o retorno sobre o investimento (ROI) de programas de bem‑estar e indicar um caminho prático para construir um ambiente UAU — expressão que a Fábrica de Criatividade usa para definir experiências que fogem do clichê e geram encantamento. Ao longo do texto, você encontrará informações confiáveis, exemplos de programas e dicas aplicáveis, além de um link para a nossa página de serviços de bem‑estar corporativo e saúde mental da Fábrica de Criatividade. Vamos juntos construir um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e criativo! Por que a Saúde Mental no Trabalho é Importante? Números que falam por si A relevância da saúde mental nas organizações se evidencia em várias pesquisas recentes. Além das estimativas da OMS sobre transtornos mentais e perda de dias de trabalho Fonte: Who, o U.S. Surgeon General divulgou que 76% dos trabalhadores norte‑americanos relataram pelo menos um sintoma de saúde mental em 2021, e 84% afirmaram que condições de trabalho contribuíram para algum desafio mental Fonte: hhs. Além disso, 81% dos profissionais disseram que vão procurar empresas que apoiem saúde mental e bem‑estar. Ou seja, não se trata apenas de “cuidar das pessoas”, mas de acompanhar uma tendência de recrutamento e retenção. Em uma enquete global, colaboradores de empresas que incentivam a saúde mental revelaram ser duas vezes mais propensos a não apresentar burnout ou depressão, enquanto metade dos trabalhadores relatou níveis moderados a severos de burnout, depressão ou ansiedade. Esses dados deixam claro que a saúde mental no trabalho é uma questão de sustentabilidade organizacional. Além da preocupação humanitária, há evidências de que a falta de ações concretas pode gerar alto turnover, custos com absenteísmo e queda de produtividade. No Brasil, embora ainda faltem dados específicos, sabemos que as taxas de ansiedade e depressão estão entre as mais altas do mundo, e a legislação já exige ações preventivas, como a NR 17, que trata de ergonomia e conforto no trabalho, e a Lei 13 717/2018, que aborda programas de saúde mental. Portanto, tanto do ponto de vista legal quanto econômico, investir em bem‑estar é urgente. Saúde mental e criatividade Existe uma relação direta entre saúde mental e capacidade criativa. Um ambiente que estimula a segurança psicológica — em que as pessoas se sentem à vontade para expressar ideias sem medo de retaliação — favorece a criatividade e a inovação. Pesquisas em neurociência demonstram que o estresse crônico afeta regiões do cérebro responsáveis por tomada de decisão e insight criativo. Em outras palavras, uma equipe esgotada tende a repetir padrões em vez de explorar novas soluções. Por outro lado, quando nos sentimos apoiados e respeitados, nosso cérebro libera neurotransmissores como dopamina e oxitocina, que aumentam a motivação e a conexão social. Empresas inovadoras, como Google e Microsoft, investem pesado em programas de saúde mental porque sabem que criatividade é seu principal ativo. Para negócios de qualquer porte, o recado é claro: cuidar da mente é cuidar da inovação. Percepções e expectativas dos colaboradores Pesquisas com trabalhadores indicam um interesse crescente em culturas que acolhem a saúde mental. Em um levantamento realizado pela Ipsos em parceria com a NAMI (National Alliance on Mental Illness) em 2025, 25% dos empregados disseram não saber se a empresa oferece benefícios de saúde mental, e somente 21% relataram ter recebido educação formal sobre o tema. Fonte: IPSOS. Ainda assim, três em cada quatro acreditam ser apropriado discutir saúde mental no trabalho, mas apenas 58% se sentem confortáveis em compartilhar sua própria experiência Fonte: IPSOS. Entre os gestores, 81% se consideram preparados para apoiar a saúde