Fábrica de Criatividade

Parley for the oceans e sustentabilidade: qual é o papel do rh?

Parley for the Oceans e sustentabilidade mostram como o RH pode liderar a transformação ambiental nas empresas ao conectar propósito a pessoas, criando treinamentos focados em decisões reais, metas atreladas a comportamento, rituais que reforçam a cultura, comunicação transparente para evitar greenwashing e indicadores que ligam engajamento interno a impacto socioambiental mensurável.

parley for the oceans e sustentabilidade talvez pareçam temas distantes do seu dia a dia de rh, mas não são. Quando a gente olha para metas ambientais, diversidade e pressão por resultados, fica claro que quem cuida de gente também cuida de cultura — e cultura decide se sustentabilidade vira só discurso em campanha ou prática viva no corredor, na sala de reunião e até no café da tarde.

Por que a pauta ambiental saiu da área de marketing e chegou forte no rh

Depois que sustentabilidade ganhou espaço nas conversas estratégicas da empresa, ficou evidente que deixá-la só no marketing já não fazia sentido. O tema passou a impactar diretamente risco, custos, reputação e atração de talentos, e isso mexe com a forma como a organização cuida de gente.

Por muito tempo, a pauta ambiental foi tratada como algo ligado a campanhas: datas comemorativas, posts em redes sociais, ações pontuais de coleta de lixo. Isso gerava visibilidade, mas pouco mudava a forma como as pessoas trabalhavam. À medida que clientes, governos e investidores começaram a cobrar resultados concretos, as empresas perceberam que comunicação sem mudança de comportamento não sustenta compromissos ambientais reais.

Dia Mundial da Limpeza é lembrado por estudantes, através de “memes” – SED

É aí que o rh entra com força. Questões como emissões, uso de recursos naturais e impactos na comunidade dependem de decisões diárias: como as pessoas se deslocam, como viajam a trabalho, como consomem materiais no escritório, como escolhem fornecedores. Tudo isso é comportamento humano, cultura organizacional e modelo de gestão — exatamente o território do rh.

Outro fator foi a pressão de talentos. Muitas pessoas, especialmente das gerações mais jovens, questionam o propósito da empresa antes mesmo de aceitar uma vaga. Elas querem saber se o negócio contribui ou piora a crise climática, se há coerência entre discurso e prática. Quando esse tipo de pergunta surge em entrevistas, programas de trainee e pesquisas de clima, quem está na linha de frente é o rh, não o marketing.

Além disso, temas ambientais passaram a fazer parte de agendas mais amplas de ESG (ambiental, social e governança). Nessas discussões, aparecem assuntos como saúde mental diante de desastres climáticos, inclusão de pessoas impactadas por eventos extremos e preparo de lideranças para tomar decisões responsáveis. Tudo isso reforça que a sustentabilidade não é só sobre meio ambiente, mas sobre como a empresa existe no mundo — e isso é, em grande parte, uma questão de gestão de pessoas.

Outro movimento importante foi a chegada de metas ambientais atreladas à remuneração variável de executivos. Quando o bônus de um líder depende de indicadores como redução de resíduos ou eficiência energética, o comportamento esperado de suas equipes muda. E quem ajuda a desenhar políticas de metas, reconhecimento, trilhas de carreira e avaliação de desempenho é o rh, que passa a ser peça-chave para transformar objetivos ambientais em práticas concretas.

Por fim, empresas que dependem diretamente de recursos naturais ou operam em cadeias de suprimentos sensíveis perceberam que a continuidade do negócio está ligada à forma como tratam o planeta. Nesses contextos, o rh assume o papel de educar, envolver e preparar pessoas para um futuro de trabalho mais sustentável, onde mudanças climáticas e escassez de recursos não são mais cenários distantes, mas parte do planejamento diário da organização.

O que a parley for the oceans ensina sobre engajar pessoas em torno de um propósito comum

Se a sustentabilidade passou a depender de comportamento, a forma como a Parley for the Oceans mobiliza pessoas traz pistas valiosas para o rh. O grande diferencial da iniciativa não é só falar sobre oceanos, mas transformar esse tema em um propósito claro, emocional e acionável.

O primeiro aprendizado é a importância de uma mensagem simples e forte. Em vez de explicar todos os detalhes científicos da poluição marinha, a Parley resume a causa em uma ideia que qualquer pessoa entende: proteger os oceanos é proteger a própria vida. Essa clareza ajuda quem participa a lembrar por que está ali, mesmo em tarefas mais difíceis ou repetitivas.

Outro ponto central é como eles conectam o propósito a histórias reais. Ao mostrar comunidades costeiras afetadas, espécies ameaçadas ou mudanças visíveis em praias específicas, a causa deixa de ser abstrata. Para o rh, isso mostra que relatórios e discursos têm pouco efeito se não forem traduzidos em narrativas que toquem as pessoas e mostrem impactos concretos.

A Parley também trabalha muito bem com a ideia de pertencimento. Quem se engaja não se vê apenas como voluntário isolado, mas como parte de uma rede global que compartilha valores. Em empresas, o rh pode aprender com isso ao criar comunidades internas em torno de temas socioambientais, com grupos de afinidade, espaços de troca e projetos em que as pessoas se reconheçam umas nas outras.

Um terceiro aprendizado é transformar participação em ação tangível. Em vez de convidar só para “ajudar o planeta”, a Parley oferece formatos específicos de envolvimento: mutirões, parcerias, programas de inovação, projetos de design e muito mais. No contexto corporativo, isso inspira o rh a substituir convites genéricos por experiências claras: desafios, programas de voluntariado, iniciativas de melhoria que tenham começo, meio e fim bem definidos.

Região ou PaísIniciativa ou Marco de Energia LimpaBenefício Econômico ou SocialImpacto AmbientalStatus da Adoção (Inferido)Desafios ou Oposições
Global90% da nova geração elétrica mundial proveniente de fontes solar e eólica no último anoEnergia solar tornou-se a forma mais barata de produzir eletricidadeChance de evitar décimos de grau no aquecimento globalModeradoOposição da indústria de combustíveis fósseis e de líderes políticos
ChinaConstrução acelerada de fazendas solares e eólicas e expansão nas vendas de carros elétricosCidades com ar mais limpo e visívelRedução drástica da poluição atmosférica urbanaRápidoNão mencionado na fonte
Califórnia (EUA)Geração renovável superior a 100% da demanda em muitos diasUso de baterias para fornecer energia durante o período noturnoMitigação das mudanças climáticasRápidoBurocracia estatal e local
AustráliaExpansão da energia solar abundanteDisponibilidade de três horas de eletricidade gratuita todas as tardesRedução da dependência de combustíveis fósseisRápidoNão mencionado na fonte
PaquistãoImportação em massa de milhões de painéis solares chineses de baixo custoRedução de 30% nos gastos com diesel para sistemas de irrigaçãoMenor emissão de poluentes decorrentes da queima de dieselRápidoFalta de capital para infraestrutura formal (como andaimes de aço)
Estados Unidos (Nacional)Crescimento das fontes solar e eólica, com liderança do TexasCusto da energia solar é três vezes maior que na Europa/Austrália devido a entravesSubstituição gradual de usinas a carvãoObstruídoBurocracia desnecessária, subsídios ao carvão e oposição política de Donald Trump
Utah, Maine e Virgínia (EUA)Legalização de sistemas de energia solar “plug-in” de pequena escalaAcesso facilitado a instalações simples para cidadãos comunsDescentralização da geração de energia limpaModeradoNecessidade de mudanças legislativas em nível estadual

Fonte: Our Last, Best Chance to Cool the Earth | Bill McKibben | TED

A lógica da Parley não é tratar pessoas como público que assiste à causa, mas como coautoras. Empresas parceiras, artistas, designers, esportistas e cidadãos são chamados a criar soluções juntos, e não só a apoiar financeiramente. Para o rh, isso reforça que engajar em propósito passa por dar autonomia para que colaboradores proponham ideias e experimentem novas práticas ligadas à sustentabilidade.

Há ainda o uso estratégico de parcerias inspiradoras. Ao se aproximar de marcas, atletas e criadores de conteúdo, a Parley leva a mensagem para contextos em que as pessoas já têm interesse genuíno. Dentro das organizações, o rh pode se inspirar nisso ao envolver líderes influentes, em diferentes áreas, como embaixadores de causas ambientais, conectando o tema ao dia a dia de cada time.

Por fim, um grande ensinamento é a forma como a Parley transforma preocupação em esperança ativa. Em vez de focar apenas em cenários negativos, mostra caminhos de ação e resultados possíveis. Em ambientes de trabalho, essa abordagem ajuda o rh a evitar o sentimento de impotência diante de crises globais, oferecendo espaços de participação em que cada pessoa entenda qual é a sua parcela de contribuição.

Metas que mudam comportamento, não só indicadores

Metas de sustentabilidade costumam nascer em áreas técnicas, mas o rh tem o papel de traduzir esses objetivos para a linguagem de gente. Em vez de falar apenas em números de redução ou índices, é possível desdobrar esses objetivos em comportamentos esperados: como conduzir reuniões, como planejar viagens, como usar espaços físicos.

Um caminho é incluir metas de sustentabilidade em planos de desenvolvimento individual. Por exemplo: um gestor pode ter como objetivo liderar um projeto que diminua o desperdício no seu time, ou testar um novo modelo de trabalho híbrido que reduza deslocamentos. Quando isso é acompanhado em ciclos formais de desempenho, a pauta deixa de ser “extra” e entra no centro das conversas sobre carreira.

Outra estratégia é alinhar metas com reconhecimento e recompensa. O rh pode apoiar a criação de prêmios internos, destaques em encontros de equipe ou até incentivos na remuneração variável, desde que tudo seja claro e mensurável. O objetivo não é “comprar” comportamento, mas sinalizar que sustentabilidade é prioridade real, e não apenas discurso.

Rituais práticos que reforçam a cultura

Rituais são momentos repetidos que ajudam a dizer o que importa na empresa. O rh pode usar isso a favor da sustentabilidade ao criar práticas recorrentes que lembrem o tema de forma natural. Em reuniões de equipe, por exemplo, reservar alguns minutos para compartilhar avanços em iniciativas ambientais ou para ouvir sugestões do time.

Outro tipo de ritual é ligar decisões do dia a dia a perguntas simples, como: “Há uma opção com menos impacto?” ou “Dá para reaproveitar algo que já temos?”. Essas questões podem aparecer em checklists de compra, roteiros de eventos internos ou fluxos de aprovação, sempre com apoio do rh na construção e na comunicação.

O rh também pode incentivar grupos de ação voluntária dentro da empresa, com encontros periódicos para propor melhorias, organizar campanhas e testar novas práticas. Quando esses grupos têm espaço na agenda oficial, acesso a informações e apoio de liderança, eles se tornam parte viva da cultura, e não apenas iniciativas isoladas.

Por fim, manter um espaço de escuta é essencial para ajustar esses treinamentos, metas e rituais. Pesquisas rápidas, conversas com diferentes áreas e painéis com colaboradores ajudam o rh a entender o que funciona, o que gera resistência e onde é preciso adaptar a abordagem para que a sustentabilidade realmente se conecte à rotina.

Erros comuns do rh ao falar de sustentabilidade e como evitar o greenwashing interno

Quando sustentabilidade entra na rotina por meio de ações práticas, também aumentam os riscos de o discurso soar exagerado ou incoerente. É aqui que o rh precisa ficar atento para não alimentar o greenwashing interno, mesmo sem querer.

Um dos erros mais comuns é comunicar promessas vagas, do tipo “somos uma empresa verde” ou “mudando o mundo todos os dias”, sem indicar o que isso quer dizer na prática. Colaboradores percebem rapidamente quando não há exemplos concretos, e a consequência é perda de confiança. Para evitar isso, o rh pode orientar: em vez de frases genéricas, use descrições específicas de iniciativas, estágios do projeto e limites do que já foi alcançado.

Outro deslize frequente é supervalorizar ações pequenas, como trocar copos descartáveis, enquanto decisões de grande impacto seguem sem revisão. Quando isso acontece, a sensação interna é de que a empresa está “enchendo a vitrine” e ignorando o que mais conta. O rh pode atuar perguntando, em fóruns de liderança: quais são os temas materiais para o negócio? E como vamos contar essa história sem colocar holofote só no que é fácil?

O rh também erra quando promove campanhas motivacionais sobre sustentabilidade, mas mantém processos de gestão que incentivam o oposto. Por exemplo: cobrar metas agressivas de produção ou vendas sem considerar impactos socioambientais, ou pressionar por viagens desnecessárias. Essa contradição é uma forma silenciosa de greenwashing. Para reduzir esse risco, é importante revisar políticas de avaliação, reconhecimento e tomada de decisão, checando se há algum incentivo que empurre comportamentos contrários ao que se comunica.

Outro ponto sensível é ignorar a voz das pessoas na hora de narrar a jornada sustentável. Se colaboradores relatam problemas, como desperdício em operações ou descaso com fornecedores críticos, e isso não aparece em nenhum canal oficial, surge a sensação de que a empresa está ocultando partes da história. O rh pode criar canais de escuta específicos para temas de sustentabilidade e garantir que os aprendizados apareçam de forma transparente em comunicados internos, mesmo quando ainda não há solução pronta.

Um erro menos óbvio é usar uma linguagem que culpabiliza indivíduos por questões estruturais. Mensagens do tipo “faça sua parte” podem gerar desgaste quando pessoas sentem que não têm opção real de escolha, por causa de metas, prazos ou recursos limitados. Em vez disso, o rh pode incentivar uma abordagem de corresponsabilidade: mostrar o que a empresa está mudando em processos e, ao mesmo tempo, convidar cada um a contribuir dentro de condições possíveis.

#DATAFABRI: indicadores que o rh pode acompanhar em projetos ligados à sustentabilidade

Para o rh, entender a dimensão do problema e da resposta das empresas ajuda a conectar indicadores de pessoas com impactos reais no planeta.

  • Em 2022, a adidas chegou perto de produzir 27 milhões de pares de tênis contendo Parley Ocean Plastic, reforçando a escalada do uso de plástico oceânico reciclado em sua linha sustentável Fonte: Relatório Anual adidas 2022
  • Somente em 2020, a parceria adidas e Parley for the Oceans gerou cerca de 17 milhões de pares de calçados feitos com resíduos plásticos coletados em praias e regiões costeiras, mostrando o potencial de escala das iniciativas corporativas Fonte: Comunicado de imprensa adidas – atualização de sustentabilidade 2020
  • A coleção adidas x Parley saiu de 1 milhão de pares de tênis com Parley Ocean Plastic em 2017 para 5 milhões em 2018 e 11 milhões em 2019, evidenciando crescimento contínuo no uso de plástico oceânico reciclado ano a ano Fonte: Parley – iniciativa adidas x Parley
  • Estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente indicam que mais de 8 milhões de toneladas métricas de plástico entram nos oceanos todos os anos e que o volume total de plásticos já presentes no oceano foi estimado entre 75 e 199 milhões de toneladas, em atualização de 2023 Fonte: UNEP – Plastic Pollution and Marine Litter
  • A produção mundial de plástico já atinge cerca de 430 milhões de toneladas métricas por ano, e a poluição plástica afeta aproximadamente 88% das espécies marinhas avaliadas, reforçando a urgência de metas corporativas alinhadas a esse contexto Fonte: UNDP – Plastic pollution

Parley for the Oceans, sustentabilidade e o novo protagonismo do RH

Quando a pauta ambiental sai do campo da propaganda e entra na gestão de pessoas, o papel do rh muda de apoio para protagonismo. Já não basta “comunicar bem”: é preciso ajudar a definir comportamentos, políticas e incentivos que façam a sustentabilidade aparecer nas decisões de todos os dias.

A experiência da Parley for the Oceans mostra que um propósito claro, conectado a histórias reais e ações concretas, é capaz de mobilizar gente muito diferente em torno da mesma causa. Dentro das empresas, o rh pode usar essa lógica para criar trilhas de aprendizagem, metas alinhadas ao negócio e rituais que mantenham o tema vivo sem virar modinha passageira.

Ao mesmo tempo, evitar o greenwashing interno é condição básica para manter a confiança. Isso significa ser transparente sobre limites, ouvir quem está na operação e garantir coerência entre o que se promete e o que se pratica. Nessa jornada, dados e indicadores deixam de ser só números de relatório e passam a guiar conversas sobre clima, engajamento e desenvolvimento.

No fim, conectar iniciativas como a Parley com a realidade da organização é uma oportunidade para o rh mostrar que cuidar de pessoas e cuidar do planeta andam juntos. Cada ajuste em treinamento, processo e cultura aproxima a empresa de um futuro em que sustentabilidade não é projeto paralelo, mas parte natural de como o trabalho acontece.

FAQ – Perguntas frequentes sobre Parley for the Oceans, sustentabilidade e o papel do RH

o que é a parley for the oceans e por que ela é relevante para as empresas?

a parley for the oceans é uma iniciativa global dedicada à proteção dos oceanos por meio da inovação, da economia circular e da transformação de resíduos plásticos em novos produtos. ela inspira empresas a integrar sustentabilidade, propósito e inovação em suas estratégias de negócio.

como o rh pode se envolver com projetos inspirados na parley for the oceans?

o rh pode incorporar a sustentabilidade aos treinamentos corporativos, incentivar programas de voluntariado, apoiar iniciativas dos colaboradores e incluir competências ligadas à responsabilidade socioambiental nos planos de desenvolvimento.

quais são os maiores erros do rh ao falar de sustentabilidade internamente?

os erros mais comuns incluem promessas sem ações concretas, comunicação exagerada, iniciativas isoladas e falta de alinhamento entre discurso e prática, o que pode gerar desconfiança e percepção de greenwashing.

como evitar o greenwashing interno em ações de sustentabilidade?

é importante alinhar comunicação e ações, compartilhar resultados com transparência, reconhecer desafios existentes e envolver diferentes áreas na construção e validação das iniciativas de sustentabilidade.

que tipo de treinamento o rh pode criar para incentivar sustentabilidade no dia a dia?

o rh pode desenvolver treinamentos práticos, estudos de caso, simulações e trilhas de aprendizagem adaptadas a cada área, mostrando como pequenas decisões diárias contribuem para objetivos ambientais maiores.

quais indicadores de sustentabilidade fazem sentido para o rh acompanhar?

o rh pode acompanhar indicadores como participação em programas ambientais, engajamento em ações voluntárias, percepção sobre sustentabilidade nas pesquisas de clima e integração de metas ambientais aos planos de desenvolvimento e avaliações de desempenho.


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