No Passinho da Gambiarra

O povo brasileiro é criativo. Isso se deve ao fato de abarcarmos várias culturas e povos em nossas terras, o que força a mistura de ideias. Dentro desse “jeitinho brasileiro”, encontramos outra expressão, a chamada Gambiarra. Segundo o dicionário, a Gambiarra se refere a uma extensão elétrica improvisada, de fio comprido, com uma lâmpada na extremidade. Pode se referir a um serviço elétrico mal feito para obter energia elétrica de maneira ilegal, prática comum em terrenos públicos invadidos para construção de moradia.

Aí, chegamos num ponto crucial da história: Gambiarra é coisa de pobre? Não. Mas é um recurso geralmente utilizado para solucionar problemas que surgem em países em desenvolvimento, carentes de tecnologia e inovação, sem mencionar o problema socioeconômico, que é evidente.

 

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Um belo exemplo é o caso do brasileiro Alfredo Moser, que em 2001, época em que o Brasil enfrentou a ameaça de um apagão elétrico nacional, inventou a Lâmpada de Garrafa PET, que é equivalente a uma lâmpada tradicional de 60 watts. Usando as garrafas fixadas e trespassadas por um furo no telhado da casa, elas iluminavam cômodos escuros durante o dia, utilizando uma simples lei da física, a refração luminosa. Hoje, a invenção do mineiro está espalhada por diversos países da África e Asia, cujo problema de fornecimento elétrico é uma realidade.

Vez ou outra, elas aparecem nas atualizações de nossas redes sociais. São churrasqueiras feitas de carrinho de supermercado ou lanternas feitas de latinha de cerveja e vela, produzidas com uso do improviso para gerar soluções práticas, baratas e acessíveis, feitas do aproveitamento do que está jogado num cômodo do lixo. Essa necessidade de improvisar vai na contramão da lógica de consumo, já que nos dias de hoje, queremos produtos melhores, com design e funcionalidades incrementadas.

 

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Há até quem estude a Gambiarra. Em Belo Horizonte existe um trio de “Gambiólogos” que dedica seu tempo a pesquisar a tradição brasileira de adaptar e improvisar, criando a “Gambiologia” e uma revista chamada Facta, que propõe discussões sobre a estética da improvisação.

Criar gambiarras é um excelente exercício de inovação. Sempre que você se deparar com algo que pode ser melhorado, pare, analise, pense e repense em qual é a melhor maneira de reinventar em prol de si e dos outros. Não precisa ser algo físico, palpável, estado da maioria das gambiarras que a gente vê por aí. Tente melhorar processos ou mesmo economizar matéria-matéria prima em seu negócio ou empresa.

Para ir além:

>> USP/FAU – “A questão da gambiarra” – Dissertação de Mestrado de Rodrigo Naumann: Clique aqui

>> Manual do Mundo. Clique aqui

Fontes:

USP, G1.

Imagens: gambiologia.org, Revista Facta, Google.

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