Por Juliana Aguiar

A Fábrica de Criatividade abriu suas portas e deu boas-vindas ao bom humor. No sábado 19 de abril, recebeu a “Trupe Fuleragem”, com o espetáculo “Fora do Trilho”. Gastão, Aminésio, Kaçarola e Aurelino apresentaram aos espectadores cenas clássicas de palhaços, reproduzidos em livros especializados, e acrescentam com sutileza experiências acumuladas no cotidiano de cada ator.
A montagem do espetáculo teve início com o Programa de Formação para Jovens, dos Doutores da Alegria: “Fiquei sabendo do curso e resolvi me candidatar à vaga, que para minha surpresa acabei sendo escolhido” afirma Washington Gabriel, 20 anos, ator.
O percurso até a formação completa durou dois anos, com estudos e treinamento de quatro horas diárias. Uma longa jornada de trabalho, indo da história do teatro, pedagogia das máscaras, experimentações até a influência do gênero italiano de comédia.
O ator Leandro Mello, 20 anos, comenta: “Ser palhaço não é nada fácil. Com muito esforço e ralação passamos por diversas máscaras até chegar à máscara de palhaço, que é a mais difícil”.
Depois que a peça ganha vida e os atores mudam de estadia – das salas de aula para os palcos – a experiência de atuar em diversos locais, com diferentes públicos, surte resultado: “Ficávamos em uma sala trabalhando, mas nunca estávamos no palco. Essa experiência esta sendo muito boa” diz Luan de Jesus, 20 anos.
Para lidar com o teatro, os atores da vida real encenam no dia a dia em diferentes profissões, de vendedor autônomo a educador ambiental: “Eu acredito que exista a possibilidade de viver do teatro, mas para isso o ator precisa de bastante experiência”, comenta Diego Alexandre, 20 anos.
O público do Capão Redondo aprovou e aplaudiu de pé a trupe. “Amei de paixão. Essa é uma linha que eu tento seguir no meu dia a dia: o bom humor”, afirma Elienay de Jesus Rodrigues, 23, estudante de enfermagem.
A Fábrica de Criatividade, com a proposta de democratizar a cultura, tem conseguido alcançar seus objetivos com tais eventos. “Eu nunca tinha ido ao teatro. Achei tudo muito divertido, gostei muito. Antes eu achava que o teatro era brega, agora já tenho uma outra visão”, disse Fernando Aguiar Andrello, 24 anos, promotor de venda.